14.6.05

Eugénio de Andrade

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Hoje Estou de luto, morreu o meu poeta do coração.
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas,
um punhal,um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm,
cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas,
inocentes,leves.
Tecidas são de luze são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta?
Quem as recolhe,
assim,cruéis,
desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade